Emoção
Amigas (os).
O acidente com o avião da Gol, acontecido ontem, me afetou profundamente. Eu embarcaria em Brasília, às 18:40h no vôo 1907 (esse que não completou sua rota, desaparecendo na selva Paraense), depois de uma semana em Brasília. Uma semana inteira tratando das questões de acidentes de trânsito no Brasil, convivendo com políticos e autoridades insensíveis a essa doença social que mata mais que a AIDS no Brasil.
Louco para voltar à Cidade Maravilhosa e com saudades de minhas meninas, reclamava do atraso do vôo que não era justificado pela companhia que apenas informava estar atrasado sem, contudo, lançar um novo horário para embarque ( primeira pista de algo inusitado acontecia...).
Finalmente, após duas horas de espera, embarcamos no que imaginávamos ser o vôo 1907 em outro portão e com a recomendação expressa de que fosse ignorada a marcação dos acentos indicados no cartão de embarque. Na natural correria para o corredor de acesso ( todos queriam chegar na frente para escolher os melhores lugares) nos deparamos com o que seria um segundo indicativo de anormalidade, que não percebi: a tripulação tensa e excessivamente burocrática para os padrões GOL de voar. Após o confuso embarque, a Chefe de Cabine fez o anúncio padrão dos procedimentos mencionando um número de vôo diferente ( embora com o mesmo destino) que provocou imediata apreensão entre alguns passageiros que pensaram ter embarcado em aeronave errada. Desfeita a confusão ( com uma explicação meio sem sentido, que agora identifico como o terceiro sinal de algo errado), seguimos viagem sem problemas. Chegando no Rio, ainda aguardando a bagagem na esteira, ligo o celular e começo a receber uma avalanche de ligações de parentes e amigos literalmente apavorados, julgando que eu estivesse no vôo acidentado. Na saída da sala de desembarque muita confusão com repórteres de jornais e TV querendo a opinião dos passageiros que chegavam. Recusei polidamente os que me abordaram. Já falo tanto dos acidentes rodoviários...
Entretanto, duas ligações, desejo registrar e talvez justifiquem essa minha reação emocional.
De Julia, minha filha mais nova e de Gilberto Cytryn, companheiro de trabalho e que estava comigo no aeroporto e embarcaria horas depois.
Ao atender a ligação da Julia, não reconheci a sua voz. Sua ansiedade e preocupação visíveis me fizeram pensar nas conseqüências indescritíveis da tragédia para as famílias cujos parentes embarcaram em Manaus no vôo 1907 ( até agora, sábado, 12:00h, nenhuma notícia do avião nem de seus passageiros). Fiquei tão absorto nesses pensamentos que deixei minha bagagem dar mais uma volta na esteira.
Gilberto, que ficara em Brasília após o meu embarque, teve a experiência pior. Sentado ao lado de outro passageiro que usava um notebook, ouve do mesmo a noticia que lia na versão on-line de um jornal que o Vôo 1907 ( aquele no qual eu embarcara 1 hora antes) estava desaparecido e havia suspeita de um acidente grave. O cara quase teve um surto. Julgou-me morto. Assim como ele, havia no aeroporto outras pessoas que também viram parentes e amigos embarcarem naquele que NÃO era o 1907. Mas isso só foi revelado depois pela companhia, diante da reação traumática à notícia.
Só consegui dormir lá pelas 4 horas da manhã. Depois de falar com muita gente do Rio e de outros estados ( parentes, amigos e companheiros de trabalho que participaram comigo das ações em Brasília) fui para a Internet em busca de informações. Sentia-me parte daquela estória trágica e queria fazer alguma coisa. Torcia, como ainda torço embora com menos esperança já passadas tantas horas, que o avião tivesse feito apenas um pouso forçado em local inóspito e sem comunicação.
Que Deus os acolha esses meus companheiros de viagem , se assim for sua vontade, e que dê forças e humildade aos que aqui ficaram.
Fernando Pedrosa
Fumar pra quê, meninas e meninos?
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